Posts Tagged ‘LITERATURA’

PRIMAVERA

sábado, janeiro 10th, 2009

Primavera

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“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.”

Cecília Meireles

Poesias

quinta-feira, janeiro 8th, 2009

Engoli
água. Profundamente: – a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
- O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda.
Herberto Helder

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LITERATURA

domingo, outubro 19th, 2008

Passeio socrático 
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da
Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos
em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento
do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com
telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do
que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como
a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo
me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?’
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:
- ‘Não foi à aula?’
Ela respondeu: – ‘Não, tenho aula à tarde’. (mais…)

CULTURA

sexta-feira, outubro 10th, 2008
  • UM PRESENTE CULTURAL‏  
  • É só clicar no título para  ler ou imprimir, não demora p baixar 
     
  • A Divina Comédia -Dante Alighieri
  • A Comédia dos Erros -William Shakespeare
  • Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
  • Dom Casmurro -Machado de Assis
  • Cancioneiro -Fernando Pessoa
  • Romeu e Julieta -William Shakespeare
  • A Cartomante -Machado de Assis
  • Mensagem -Fernando Pessoa
  • A Carteira -Machado de Assis
  • A Megera Domada -William Shakespeare 
  • A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
  • (mais…)
  • LEITURA ..

    quinta-feira, outubro 9th, 2008

    Marcel Proust

    O Prazer da Leitura

    “A amizade, a amizade que diz respeito aos indivíduos, é sem dúvida uma coisa frívola, e a leitura é uma amizade. Mas pelo menos é uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. É além disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como não passamos todos, nós os vivos, de mortos que ainda não entraram em funções, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vestíbulo, a que chamamos deferência, gratidão, dedicação e a que misturamos tantas mentiras, são estéreis e cansativas. (mais…)